Neste blog você poderá ler textos que expressam minha opinião e, por vezes, interligação entre diversos assuntos. A abrangência dos temas inclui: mecânica quântica, teoria da relatividade, livre-arbítrio, determinismo, teísmo, mente, cabala, dentre outros. Aguardo seus comentários e... boa leitura!
sexta-feira, 7 de junho de 2013
Física e a Realidade
Uma excelente palestra do Dr Raphael de Paola, sobre "Física e a Realidade". O palestrante é doutor em física pela CBPF.
sexta-feira, 24 de maio de 2013
Citações
Posto a aqui uma
citação do professor Marlanfe Tavares de Oliveira que expressa, de forma clara,
concisa e precisa o que penso da relação da crença (em Deus) e ciência. Note
que, no trecho abaixo, fé é assumida como pura crença.
“A Religião
NÃO DEVE entorpecer o homem. A Inteligência somente pode crer no que é
razoável: nem no absurdo, nem crença cega. Deus, que deu a Inteligência ao
homem, não pode querer que ele abra mão deste instrumento do pensamento para
aceitar cegamente o que outrem diz. Daí: A
FÉ DEVE SER RAZOÁVEL. Isto significa que o que eu creio não pode ser absurdo,
contrário à minha razão, e sim explicado e justificado por ela. A FÉ DEVE SER UM ATO LIVRE. Quer isto
dizer que ninguém pode impor sua Fé a outrem. O principal apanágio do homem é a
Liberdade e Deus não precisa suprimir a Liberdade Humana para se fazer
conhecido, amado e servido. A FÉ DEVE
AJUDAR A REALIZAR O HOMEM COMO PESSOA. Já que Deus fez o homem à Sua imagem
e semelhança, não poderia a Fé desfazer
essa semelhança com Deus, mas reforçá-la até levá-la à condição de Imagem”.
Em seguida, algumas (belíssimas) declarações de
cientistas que tomei a liberdade de transcrever usando um site como fonte. Que
não tomem que afirmo aqui que a declaração de um cientista equivale a seu
trabalho de pesquisa, mas que, os que aqui apresento, conhecendo a ciência, concluem
pela existência de Deus.
"Religião e ciência natural combatem unidos numa batalha
incessante contra o ceticismo e o dogmatismo, contra a descrença e a
superstição. E a palavra de ordem nesta luta sempre foi e para todo sempre
será: em direção a Deus!" Max
Planck (1858-1947), ganhador do Prêmio Nobel de Física de 1919.
"A prova mais
imediata da compatibilidade entre religião e ciência natural, mesmo sob análise
detalhada e crítica, é o fato histórico de que justamente os maiores cientistas
de todos os tempos, homens como Kepler, Newton, Leibniz, estavam imbuídos de
profunda religiosidade." Max
Planck (1858-1947), ganhador do Prêmio Nobel de Física de 1919.
"O primeiro gole do copo das ciências naturais torna ateu;
mas no fundo do copo Deus aguarda." Werner Heisenberg
(1901-1976), ganhador do Prêmio Nobel de Física de 1932.
"Natureza definitivamente não pode ser discutida de modo
completo em termos científicos sem incluir também a indagação por Deus." Walter
Heinrich Heitler (1904-1981), físico, recebedor da
Medalha Max Planck de 1968.
"Não tenho razão para ver uma discordância entre aquilo, que
sei como cientista que passa o dia inteiro estudando o genoma humano, e aquilo,
que creio como alguém que presta muita atenção ao que a Bíblia me ensinou sobre
Deus e sobre Jesus Cristo. ... A noção de que você deve escolher entre um e
outro é um mito terrível que tem sido proposto, e que muitas pessoas têm aceito
sem real oportunidade de examinar a evidência." Francis
Sellers Collins (1950- ), geneticista, ex-diretor do Projeto
Genoma Humano.
quarta-feira, 24 de abril de 2013
Bohr e a Teoria Quântica em 90 minutos
Autor: Paul Strathern.
Ed Zahar.
Síntese -
O livro atende ao que se propõe: leitura fácil e rápida. O texto
se desenvolve em bom ritmo e cumpre bem o papel de informar o leitor sobre a
vida particular do físico (com menor ênfase) e suas principais contribuições à
ciência. Algumas ilustrações auxiliam a compreensão de determinados conceitos.
Mais
sobre o livro.
“... a
influência de Bohr sobre a física e os físicos de nosso século foi mais forte
que a de qualquer outra pessoa, inclusive Einstein”
Werner
Heisenberg
O
rompimento da física com o senso comum, ocorrido nas primeiras décadas do
século passado, teve alguns protagonistas de peso, dentre eles, o dinamarquês
Niels Bohr. O autor frisa grandes conflitos entre resultados esperados pela
física clássica e o que se obtinha em algumas práticas de laboratório. Bohr foi,
também, um grande debatedor dentre seus pares.
No livro,
aborda-se os eventos em ordem cronológica. Inicia com o nascimento do físico, descreve
sua família (pais e irmãos) e o início da vida acadêmica dele (bem como de
atleta: jogador de futebol).
Na obra,
é descrito como Bohr estendia sua conceituação de eventos físicos para outros
campos, sobretudo a filosofia. Ele é apresentado como um teórico, tendo incursões
em laboratório não muito produtiva, sobretudo por sua inabilidade prática.
Neste
contexto, dado aos resultados experimentais inesperados que surgiam de
determinados eventos, foi capaz de conceber intelectualmente explicações que
davam sentido ao resultados práticos observados (e em choque com conceitos
correntes clássicos). O enunciado do Princípio da Correspondência e do
Princípio da Complementaridade são resultados diretos dessa característica
deste gênio pesquisador.
A descrição
da relação de amizade e trabalho de Bohr e Ernest Rutherford é um ponto alto do
livro.
Nem tudo
era mar de rosas: Bohr encontrava
resistência entre seus pares, sobretudo pelas inovações conceituais propostas.
Isso gerou repercussões de tal ordem que o autor, sobre a explicação do físico
para determinado fenômeno, se expressa com a seguinte citação: "A
explicação de Bohr era não científica
demais".
É feita
uma abordagem do impacto da 2ª Grande Guerra na vida do cientista (uma fuga
cinematográfica da Europa continental para a Inglaterra é descrita em certo
momento).
No auge
do reconhecimento, com concessão de prêmio Nobel e o estabelecimento do Instituto
de Bohr, a obra aponta a relação profissional do pesquisador com outros grandes
nomes da física, como Pauli, Heisenberg, Dirac, Landau, dentre outros.
Os grandes
debates entre Bohr e alguns de seus pares é abordado (embora de maneira não tão
profunda quanto alguns prefeririam, inclusive eu), sobretudo no instituto que
leva seu nome. O compromisso com a verdade tido pelos debatedores é o motivo
pelo qual aqueles embates teóricos foram (e ainda são) tão importante para a
mecânica quântica.
segunda-feira, 15 de abril de 2013
Alguns livros sobre (divulgação da) física
Um amigo me sugeriu listar os livros aos quais acho interessante para compreender física (mecânica quântica e relatividade). Pois bem, segue a lista.
1. Uma Breve História do Tempo: do Big Bang aos Buracos Negros((título original, em inglês "A Brief History of Time:From the Big Bang to Black Holes"), Ed Rocco, escrito por Stephen Hawking. Foi o primeiro que li e recomento, devido a abordagem abrangente e leitura (um tanto) fácil.
2. Uma Nova História do Tempo (link), Ed Ediouro, escrito por Stephen Hawking e Leonard Mlodinow. A abordagem deste livro é mais atualizada que o anterior e apresenta um texto ainda mais simples, sobretudo se você conseguiu entender boa parte do primeiro.
3. O Universo Numa Casca de Noz, Ed Mandarim (link), escrito por Stephen Hawking. Uma obra ricamente ilustrada, de encher os olhos, mas perder em termos de visão global e facilidade de leitura para os livros acima citados.
4. Hiperespaço (link), Ed Rocco, escrito por Michio Kaku. Para introduzir o assunto central da obra, o autor faz uma revisão de muita propriedade e poder de síntese sobre relatividade e aborda, também, a física quântica.
5. O Universo Elegante: Supercordas, Dimensões Ocultas, e a Busca pela Teoria Final (link 1, link 2), Cia das Letras, escrito por Brian Greene. Embora não seja um livro voltado para abordar relatividade e mecânica quântica, devido à complexidade inerente ao assunto central da obra, o autor dá uma base teórica de altíssima qualidade, em linguajar simples, com exemplos didáticos, que permitem uma compreensão impar dos dois tópicos de física que foco aqui. É a melhor abordagem do tema, em minha opinião (em particular se vc já tiver se esforçado para ler e entender pelo menos um dos 4 livros que listei acima).
sábado, 23 de março de 2013
Por que Acredito em Deus - parte III
Antes desta leitura, leia
os textos Por
que acredito em Deus e a continuação Por que Acredito em Deus parte II, que trazem os artigos que precedem e complementam este.
Nos textos anteriores,
mostrou-se, em um contexto científico, a dependência que a matéria exibe em
relação aquilo que conhecemos por consciência. Além disto, duas característica
elementares, notadas no nível básico da matéria, são sumariamente apresentadas,
sendo elas a atemporalidade (a verificação de determinada propriedade, uma
medição, pode definir aquilo que nós entendemos como o passado da partícula em
termos, por exemplo, de trajetória) e não localidade (a medição tem efeitos
imediatos mesmo em grandes distâncias). Como dito no texto anterior, a
implicação disto é que a observação feita no que percebemos como “agora”
define, em todo ou em parte, a história do universo do seu momento inicial ao
seu fim.
Isto posto, como resposta
mais robustas aos resultados de laboratório e interpretações existentes relativas
à mecânica quântica, pode-se afirmar que a mente é fator fundamental no processo de redução de estado (trazer do quântico para a realidade clássica que
percebemos), que a consciência não é mero epifenômeno da matéria (na verdade, no
contexto aqui exposto, verifica-se que a matéria, como a concebemos, é que depende
da consciência) e, além disso, que por esta última exibir características
locais e temporais, a explicação para as características não locais e
atemporais verificadas em processos de medição - e consequente definição do
universo físico que vivemos - só podem ser derivadas da fonte primária, a
mente.
Todavia, tal
caracterização para a mente (não locais e atemporal) extrapola o que é definido
sobre a mesma em termos acadêmicos. No texto anterior, Por que acredito em Deus
2, foi dito que aquilo que chamamos de consciência deriva de algo que existe no
universo, na criação, que independe do tempo e espaço. É exatamente essa consciência,
ou mente, primária, da qual tudo deriva, é que pode ser chamada de Deus (uma
vez que tal mente passa a figurar como base e agente direto da criação do
universo).
Feita a constatação de que
a consciência é indispensável para que o universo em que vivemos tenha as leis
físicas e, com isto, toda a configuração que experimentamos, façamos uma re-análise
com maior riqueza de detalhes.
Primeiro, constata-se que
se a conformação
do universo depende da consciência, então não se
pode falar que é a matéria que gera a mente (no cérebro, como é suposto pela
ciência mais ortodoxa).
Pelo experimento
da escolha retardada com o uso do apagador quântico,
fica claro que não só a sobreposição de estados de dada partícula só é desfeita
quando é possível se distinguir uma dentre duas possibilidades físicas
(sem que tal distinção implique em qualquer tipo de interação com o elétron, ou
fóton, que já não tenha ocorrido), ou seja, se o pesquisador consegue definir,
a partir do que é captado pelos sensores, se uma partícula elementar
obrigatoriamente apresentou um só caminho percorrido. O curioso é que tal
possibilidade independe do tempo. Em outras palavras, a medição feita hoje
afeta, ao menos em nível de escala atômica, o futuro e o passado. Mas, como Stephen
Hawking e Leonard Mlodinow propõem, essa
característica de “seleção dentre possibilidades” para uma partícula pode (e
deve) ser estendida a toda a história do universo e às leis que o regem (mesmo
a formação do espaço-tempo quadridimensional).
A citada característica de
independência temporal se denomina por atemporal. Logo, os efeitos da
consciência na matéria, quando atua como "seletor" que permite
definir a história passível de descrição e despreza as potencialidades
concorrentes, são atemporais.
A implicação disto é que a
observação feita no que percebemos como “agora” define, em todo ou em parte, a
história do universo do seu momento inicial ao seu fim (se existir um). Saindo
da escala macro do universo e retornando a observação de um fóton, em particular
da experiência já citada aqui, note que a redução de estado (perda de
sobreposição) implica em definir um (grupo de) caminho(s) para a partícula no
seu deslocamento no tempo, momento a momento. Em dado contexto, pode-se afirmar
que a partícula tenha estado nesta ou naquela posição. Isso ilustra a
característica temporal e local da matéria.
Todavia, se a matéria
exibe características locais e temporais, a característica não local só pode
vir da outra componente fundamental do universo: a consciência. Contudo, se o
fator atemporal é inerente à consciência, então, por certo, no momento inicial
do universo, a mente já existia [1], ainda que o espaço-tempo fosse um embrião
e a matéria um aglomerado de densidade descomunal. Neste contexto, não faz
sentido supor consciências (múltiplas): o universo tem dimensões pontuais neste
estágio. Mais ainda: não faz sequer sentido em postular uma consciência local,
presa a influências exclusivamente daquilo que a cerca.
Assim sendo, a proposição
de uma mente única, uma
só consciência, da qual somos parte (e utilizamos
de fração da mesma) é a proposta que atende de forma simples e direta as
necessidades físicas (e metafísicas) daquilo que observamos na natureza.
O mais prudente seria
afirmar que aquilo que chamamos de consciência deriva de algo que existe no
universo, na criação, que independe do tempo e espaço. É exatamente essa
consciência, ou mente, primária, da qual tudo deriva, é que pode ser chamada de
Deus.
Sobre o que foi dito até
aqui.
Baseado exclusivamente conceitos
científicos (difundidos e publicados), verifica-se:
- dentre as interpretações
da mecânica quântica, àquela que considera a consciência como causadora da
redução de estado (grosso modo, responsável pela transição do quântico para o
clássico) é a única que está em estrita e total conformidade com o que é
verificável experimentalmente; e
- existe um grupo de
pesquisadores, embora de posição (ainda) minoritária, que afirma que a teoria
dominante de que a mente é mero epifenômeno do cérebro é muito difundida, mas
não comprovada. Este mesmo grupo sugere a consideração de um estudo que englobe
o conceito de transcendência da mente, pois declaram (em artigo científico de
renomada revista) que constataram (o que exige verificação, não subjetividade) atividade
consciente em um período de não atividade (detectável) do cérebro.
Usando, ainda, argumentos
científicos, verifica-se que:
- os resultados atemporais
e não locais inerentes a determinados experimentos relativos à mecânica
quântica, bem como uma teoria abrangente que possa simplificar nossos conhecimentos
científicos das leis estudadas pelos físicos em uma teoria unificada, requerem uma
teoria base não local e atemporal (na qual tempo, espaço, matéria e energia
sejam conceitos secundários);
- assim, dos experimentos,
deve-se concluir (dentre outras coisas) que a nível elementar da formação do
universo e suas leis, os fatores contribuintes tem de ser atemporais e não
locais; e
- disto, tem-se que as
partículas elementares e o fator que causa a redução de estado (pouco
significante são as primeiras sem tal fator) devem ser considerados em um
contexto não local e atemporal (em que, parafraseando Lavoisier, nada se perde,
nada se cria, apenas se associa, ou melhor, transforma).
Agora pode-se sair do
contexto estritamente científico para evidenciar uma associação inconfundível:
- a mente humana é a
melhor imagem, e de semelhança inigualável, ao estado primário que conforma
nosso universo, pois é por meio daquela que o universo assume a configuração
clássica que verificamos (somos, portanto, co-criadores do universo); e
- sem contexto local e
temporal, todas as consciência que nos caracterizam devem, obrigatoriamente,
resumir-se a uma só (o que não implica que tal mente única se resuma a mera
soma das nossas mentes). A consciência única extrapola a eternidade (pois este
conceito envolve tempo que é um subproduto da mente única). Assim, nossas mentes
figuram como imagens daquela que subsidia a existência como a experimentamos.
Obviamente que uma mente
que extrapola (na verdade forma) o espaço-tempo é um conceito muito mais abrangente
do que ao empregado comumente para essa palavra, sendo, portanto, a utilização
do termo "mente única" uma possível imprecisão na descrição dada aqui,
mas é a melhor possível... ou não? Para determinadas pessoas, a melhor
designação para a realidade que cria tudo e pode ser diretamente associada à consciência
(como a melhor correspondência dentre o que existe no universo) é dada pela palavra
Deus.
---------------------------------------------------
[1] O correto seria afirmar simplesmente
que a mente existe, visto que, de acordo com a análise aqui apresentada, ela é
atemporal: não faz sentido, portanto, colocar o verbo no passado ou futuro.
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
No princípio...
Deixe eu fazer um esclarecimento.
Cabala é uma palavra hebraica. Seu significado é traduzido como “tradição”, “o
que é recebido” ou “recepção”. Prefiro o primeiro significado. Os judeus têm (dentre
outros) este grande mérito: mantêm a tradição viva, guardada e são os
responsáveis pela mesma desaguar nos tempos modernos. Porém, a Tradição não se
resume somente na Tradição Hebraica (ou Cabala, simplesmente). Quando falamos
em Cabala, normalmente ligamos este conceito aos judeus. Para evitar tal
confinamento, talvez o melhor seja utilizar Tradição.
Como cristão, embora tenha interesse
em estudar amplas culturas e filosofias nas quais esta Tradição se mostra (ou
se mostrou), tenho uma ótica pessoal moldada, por mais que eu me esforce em
evitar esta “interferência”, por minhas crenças.
Isto posto, vou tentar resumir minha
concepção sobre a criação, ou pelo menos, os passos iniciais desta.
A premissa aqui é a existência de um
Criador (de tudo).
Para entender melhor a criação feita
por um Criador incriado (Deus, Alá, etc), atentemos para alguns conceitos.
Nossas ferramentas de linguagens são pobres: falar de algo que precede tempo,
espaço, matéria e energia requer uma abstração deveras elevada (para quem
escuta também, obviamente). O Criador está muito além de nossa capacidade
mental de compreender a natureza dEle, embora sua manifestação (e nós nela)
tenhamos de ser compreensíveis. Assim, tudo que existiu, existe e existira
forma um conjunto mínimo contido no Criador. Todas as probabilidades possíveis
de existência nele coexistem. Deus é formado também, supostamente, por
existência incompatíveis com nosso universo. Não há qualquer espécie de limite nEle,
e sua simetria é absoluta (ou unidade).
Segundo a cabala, a criação ocorre
através de um processo que é denominado de Tsim Tsum, ou constrição. Os
cabalistas atribuem este conceito a Abraão, embora só esteja registrado por
escrito no Sec XIV. Eles explicam que se só existia o Criador e este compreende
toda a existência do nosso universo e outros, uma quebra de simetria, um
“espaço primordial”, um “útero” ou “ovo primitivo” tem de ser formado para que
neste ambiente a criação pudesse vir à existência de forma diferenciada do seu
criador. Este ambiente é denominado por “primogênito”, “primeiro”, “princípio”
(“Reshit”, em hebraico, tem como raiz “Resh”, que significa “cabeça”). Em
Reshit (No princípio...) é que tudo será criado. Reshit não só é o embrião do
tempo e espaço, também o é da matéria e energia. É uma existência viva, um deus
se quiser assim conceber, a forma finita mais poderosa (se Deus fosse finito,
seria Reshit). Reshit se apresenta a Moisés (na sarça ardente) como "Ehyeh asher ehyeh" (“Eu sou o que Eu sou”, ou “Sou o que
Sou”). Ele é o “Ser”, a condição de existência de nosso universo.
Esta necessidade de “separação”, de um espaço que abrigue a
criação, ocorre por algumas necessidades (até físicas) que nos é compreensível.
Filosoficamente abordando, vivemos num universo finito: o limite é uma “marca”
naquilo que percebemos. Logo, há necessidade deste “limite” se manifestar e se
destacar da simetria absoluta (que torna o limite inerte) de forma dominante,
para que qualquer criação que tenha tal característica possa existir.
Fisicamente, assim como a Terra não pode existir no interior do Sol, ou nos
primeiros anos pós Big Bang, devido à alta energia que estes ambientes possuem
(destroçaria a matéria necessária à existência do nosso planeta), a Fonte que
originou tudo isto é, por suposição nesta explanação, de uma energia muito além
das nossas escalas, logo incompatível com escalas mensuráveis de energia
(inclua nosso universo nesta conta).
Bom, isto é para explicar o “No princípio...” de Gêneses
1,1. Acho que dá para perceber que o assunto não é simples, requerendo
exposições bem elaboradas e de difícil síntese (pelo menos para mim).
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
Um universo criado
Parte 1
“...
assim como deveríamos permitir que a nossa artista trabalhasse livremente a
partir de uma tela, do mesmo modo devemos permitir que a teoria das cordas crie
o seu próprio ambiente espaço-temporal, começando com uma configuração
destituída de espaço e de tempo.
Espera-se
que tendo essa tela em branco como ponto de partida - (...) – a teoria seja
capaz de descrever um universo que evolui para uma forma na qual um pano de
fundo de vibrações de cordas coerentes emerge, produzindo as notações
convencionais de espaço e tempo. Tal versão revelaria que o espaço, o tempo e,
por extensão, as dimensões não são elementos definidores essenciais do
universo. São, ao contrário, noções convenientes que surgem a partir de um
estado mais básico, atávico e primário.”
O Universo Elegante,
de Brian Greene
As
palavras que escrevo neste texto são, em especial, para aqueles que vêm na
ciência, na física em particular, um sublime esforço da criatura almejando o
entendimento daquilo que o Criador fez. A ciência deve muito ao esforço
racional de pensadores das antigas Universidades do Sec XIII, os quais foram
influenciados pelo conceito monoteísta de um só Deus de suprema sabedoria que
cria um universo racional e permite à existência em tal ambiente de um ser (o
homem) que é sua imagem e semelhança, logo, capaz de entender tudo aquilo que o
cerca (embora não necessariamente seu Criador além do que é manifesto na
criação).
Nos textos anteriores, o ponto de vista inicial foi uma determinada experiência
física e as teorias científicas que a explica. Neste contexto, mostrei a
indispensável necessidade de existência de Deus (ao menos de um conceito dEle).
Mas qual conceito, ou melhor, quais características seriam indispensáveis a
Deus para uma harmonia perfeita com o universo? É possível atender a inspiração
científica da citação feita nos parágrafos de abertura que transcrevi no início
deste texto?
Alguém,
de convicção mais ortodoxa, poderia argumentar que não devemos (ou podemos) sujeitar
Deus a nada, ele é quem é senhor de tudo. Concordo. Todavia, mesmo quem assim concebe, por
certo toma Deus como a base primária e única da existência. Se assim o é,
então, certamente, o universo vem dEle. Logo, entender o cosmo,
como ele é sustentado, é entender aquilo que Deus nos mostra, o que o Criador
demonstra de sua natureza mais intima. Estudar a natureza e suas leis é uma
devoção eterna e sublime à obra máxima do Criador.
Com
base nestes argumentos, por parte de determinados religiosos, considero um enorme erro desprezar ou dispensar o estudo científico, ainda mais sob a alegação de se perceber, neste tipo de aprendizado, algum
insulto ao criador. Falta a visão do quanto é importante estar imerso no
máximo do conhecimento produzido pela inteligência humana, a fim de atestar, até em
termos físicos, o quão grandioso é o Criador. Se assim não o fizerem, deixarão
os militantes ateus (os quais não perfazem a totalidade desses) se arvorarem das
descobertas científicas a ponto de chegarem a distorcer parte delas em favor da
filosofia de vida materialista que adotam, ocultando os apontamentos cabais em
contrário.
Então, partindo em direção oposta ao que foi
feito nos últimos textos, suporemos a existência de Deus, naquilo que percebo
ser totalmente compatível com o cristianismo, e veremos se é possível apresentar
um desdobramento natural em que o universo físico emerja de forma coerente e de
acordo com as notações convencionais que verificamos.
Continua.
“Em algum ponto da
validação de todas as alegações ou hipóteses de verdade, um salto de fé é um
ingrediente indispensável. Na
base de todas as buscas humanas do entendimento e da verdade, incluindo-se a
pesquisa científica, está presente um elemento de confiança que não pode ser
erradicado. Se você se pega duvidando do que acabo de dizer, é apenar
porque, neste exato momento, você confia na sua mente o suficiente para
preocupar-se com a minha asserção. Você não pode deixar de confiar em sua
capacidade intelectual, mesmo quando está em dúvida. Além disso, você expõe seu
questionamento crítico porque acredita
que vale a pena procurar a verdade. A fé, nesse sentido, não no sentido de loucas fantasias e desejos impossíveis, está na
raiz de toda religião – e ciência – autêntica.”
God and the New Atheists, de John F Haught
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