segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

O Buraco Negro no Começo do Tempo

Na Scientific American Brasil, número 61, Edição Especial História e Filosofia da Ciência, traz em sua capa o título O Buraco Negro no Começo do Tempo. Trata-se de um artigo interessante e original em sua abordagem versando sobre a teoria do Big Bang em uma proposta bastante diferenciada. O que o autor apresenta em seu trabalho de pesquisa é uma proposição em que o nosso universo é o horizonte de eventos de um buraco negro de outro universo com uma dimensão espacial a mais, ou seja, 4 dimensões espaciais.



Mas como entender um universo de 3 dimensões sendo o horizonte de eventos de um buraco negro de outro universo de 4 dimensões espaciais? 

Bom, primeiramente temos de saber o que é um horizonte de eventos de um buraco negro. Horizonte de eventos, no caso aqui abordado, nada mais é do que a limitação espacial física a partir da qual a gravidade do buraco negro atrai qualquer coisa, inclusive a própria luz. No caso particular do nosso universo, pode-se imaginar, grosso modo, que esse horizonte de eventos é a superfície de uma esfera cujo o centro é um buraco negro: a partir desse limiar, qualquer coisa que chegue próximo ao buraco negro é atraído para o mesmo por sua gigantesca força gravitacional.

Nesse exemplo, obviamente, por se tratar de uma superfície, está se referindo a algo com duas dimensões. De forma análoga, em um universo com quatro dimensões espaciais, tal horizonte de eventos teria três dimensões. Pois é exatamente esse ente limitante de três dimensões espaciais (o tal horizonte de eventos do universo hipotético) é que serve como modelo para explicar o nosso próprio universo (com 3 dimensões espaciais).

Por que essa hipótese é interessante? Ela permite chegar a algumas respostas que hoje o modelo padrão não nos fornece. Como exemplo, tem-se o valor das (cinco) constantes básicas da física, das quais dependem as leis que verificamos na natureza. Outro ponto ainda não entendido é a suposta inflação cósmica no início do universo, a qual é a melhor explicação para a aparente homogeneidade que nós observamos no universo em relação a uniformidade de distribuição de massa e a energia/temperatura visualizada por nós. Além disso, temos a teoria do Big Bang, a qual é uma excelente explicação para a evolução do universo após fração de segundo do momento zero, mas que, sobre o Big que fez Bang, sobre o que explodiu, ela silencia, não fala nada: as leis físicas conhecidas não são aplicáveis ao se tentar explicar essa singularidade primária (as leis físicas entram em colapso em singularidades).

Partindo de um universo existente e com quatro dimensões espaciais, já se supõe que o mesmo possua leis físicas e, com isso, consegue-se explicar algumas coisas que tem se mostrado nebulosas até o momento no modelo padrão, inclusive os três pontos eu acabei de citar no parágrafo anterior. 

Adicionalmente, o autor do artigo em foco acrescenta que a hipótese dele pode ser testada: isso é fundamental para ter uma teoria realmente científica, uma vez que a ciência se baseia em evidências físicas, ou seja: se não pode ser testada, não faz parte da ciência.

Todavia o próprio autor evidencia o ponto fraco dessa nova abordagem para a origem do universo.  Tal “calcanhar de Aquiles” é que, de fato, a abordagem apresentada empurrar as atuais lacunas, as ausências de respostas, para trás, uma vez que se teria que explicar a origem desse universo primário postulado, o com 4 dimensões espaciais.


Vale notar que não é a primeira teoria que consegue completar lacunas na cosmologia invocando mais dimensões físicas. Um exemplo já apresentado aqui nesse blog é teoria das cordas.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Cabala Cristã - vídeo aula 03

Com o objetivo de divulgação do livro Cabala Cristã, de autoria de Leonardo O Araújo e Marlanfe T Oliveira, e buscando ajudar aqueles que procuram estudos sobre o tema, apresenta-se aqui uma série de vídeos que complementam e auxiliam a leitura do citado livro. Neste vídeo, o Professor Marlanfe aborda o conteúdo do capítulo um, em particular, a Trindade e Jesus como a projeção do Verbo de Deus. 

Desde agora, pedimos desculpa pela qualidade técnica amadora do vídeo, mas o nosso objetivo maior é compartilhar o conhecimento que foi obtido.



domingo, 9 de novembro de 2014

CURSO ADIANTADO DE YOGA - 4

Segue mais um texto do "CURSO ADIANTADO DE YOGA", elaborado pelo Professor Marlanfe Tavares de Oliveira.  Reproduzo o original das instruções exatamente como ele o fez (inclusive cores e caixa alta): em uma linguagem simples, direta, beirando ao popular, objetivando a pessoa comum.
Boa leitura!

Para ler o capitulo 3, clique aqui.

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CURSO ADIANTADO DE YOGA – IV

COURS SUPÉRIEUR DE YOGA - IV

Prof. Marlanfe

            O Universo é formado de causas segundas das causas primeiras, causas terceiras das causas segundas, e assim por diante.

L'Univers est constitué de causes secondaires des premières causes, de troisième causes de causes secondes, et ainsi de suite.


O movimento,  ou Luz, emana do Primeiro Motor   para cada círculo subsequente.

Le mouvement, ou de la Lumière, émanant du Premier Moteur  pour chaque tour suivant.


Nós chamamos  a Causa Incausada de EL, Causa Primeira, o qual  criou JAVEH – Causa Segunda - e este criou o nosso Universo de 80.000.000.000 de anos luz, que a Cabala descreve como a Árvore da Vida:

Nous appelons la Cause sans cause de EL, Cause Première, qui a créé Javeh - deuxième cause - et cela créé notre univers de 80 milliards années-lumière, qui est décrit dans la Kabbale comment l’Arbre de Vie:






Porém esta figura é um esquema didático. Na realidade, o que se tem é esfera dentro de esfera, em uma continuidade que envolve a totalidade da Árvore:

Mais ce chiffre est un projet éducatif.  En réalité, ce que vous avez est de sphère dans la sphère dans un continuum qui implique  l'arbre entiers :


Sendo assim, cada Universo maior alimenta outro menor, a começar do Princípio, RESHIT que é o Verbo de Deus, ou seja, o SOPH da Cabala.

Ainsi, chaque univers plus grand nourrit un autre mineur au départ du Principe, RESHIT , qui est la Parole de Dieu, c'est à dire la Kabbale SOPH.


            Teremos, deste modo, uma sequência em cascata, começando no Primeiro Motor Incriado, o AYIN-SOPH-AUR  (EL)  e  entrando no Sistema Sefirótico, ou JAVEH, o Segundo Motor, o Deus Criado ou Demiurgo.

Nous aurons donc une séquence en cascade, en commençant par le Premier Moteur incréé, l'AYIN-SOPH- AUR (EL) et dans le système séphirotique ou Javeh, le deuxième moteur, le Dieu  créé ou Démiurge.

 


Dele, o Raio de Luz Incriada passa para todos os mundos criados por JAVEH, a partir de KÈTER e atravessando todos os Universos criados,  chega a MALKUTH, nosso mundo. A Luz chega até nós e entra pelos diversos corpos ou camadas energéticas. Um parte entra pela cabeça, outra parte pelos pés.

De lui, le Faisceau de Lumière Incréé passe à tous les mondes créés par Javeh, de Keter pour tous les univers créés, atteint Malkuth, notre monde. La lumière vient à nous et va par divers organismes ou des couches d'énergie. Une partie pénètre dans la tête, l'autre partie pénètre par nos pieds.



Sabendo-se que temos um veículo, ou corpo em cada plano , e que somos alimentados em cada um deles, começando  do primeiro, fica asssim: 

Sachant que nous avons un véhicule ou un organisme dans chaque plan, et nous sommes nourris sur chacun d'eux, à partir de la première, il va comme:

“Doze Sefiras, doze veículos, ou corpos. Em Kéter, o corpo Mahaparanirvânico, o primeiro.

"Douze Sephiroth, douze véhicules, ou organismes. Dans Keter, le corps Mahaparanirvanique, le premier.

Em Binah,  o corpo Paranirvânico. Em Cochmah, o Nirvânico, que é o terceiro. 


En Binah, le corps paranirvanique. Dans Cochmah la nirvanique, qui est le troisième.

 Geburah é responsável pela criação do Átmico, o quarto corpo e em Chesed   temos o Búdico, que é o quinto.

Guebourah est responsable de la création de l'Atmique, le quatrième corps, et en Hessed nous avons de Bouddhique, qui est le cinquième.

Cabe a Tipharet formar o Mental Superior e  Hod  providencia o Mental Inferior, que é o sétimo.

C'est à Tipharet former le mental supérieur et Hod fournit la Basse-mentale, qui est le septième.


Netzah  forma o oitavo corpo, o Astral Superior.  Yesod  providencia o corpo Etérico, e Malkuth  fabrica o Físico , o último dos corpos humanos o décimo”.

Netsah forme le huitième corps, l'Astral Supérieur. Yesod fournit le corps éthérique et Malkuth  fabrique la physique le dernier des corps humains,  le dixième corps ".


As duas Instâncias  Superiores estão fora desta sequência, pois são qualitativamente diferentes, porquanto pertencem aos Criadores.

Les deux Instances Supérieures sont hors de cette séquence, car ils sont qualitativement différents, parce qu'ils appartiennent aux Créateurs.


O duodécimo é o Espírito,  e o Éon  Energético que tem a capacidade de se adaptar ao próprio JAVEH  é o Corpo Crístico, o undécimo.

Le douzième est l'Esprit, et l’Eon d'énergie qui a la capacité de s'adapter à même Javeh est le Christ-Corps, le onzième.

            O AIN-SOPH-AUR, o próprio EL, alimenta o corpo espiritual e daí em diante cada um dos corpos recebe a Luz Incriada de EL. Seguindo o raciocínio, nosso corpo físico recebe Luz,   ou o alimento,   do corpo etérico, dentro do qual se situa.

Le AYIN-Soph-AUR, EL même,  nourrit le corps spirituel et ensuite, chaque corps reçoit la Lumière Incréée de EL. Suivant le raisonnement, notre corps physique  reçoit de la Lumière, ou de la nourriture, du corps éthérique,  à l'intérieur duquel est.


A Luz (AUR ou AOR) chega ao corpo físico através de ligações energéticas, as quais,  saindo do corpo etérico  chegam ao corpo físico, atraída por um conjunto de 3  itens biológicos que formam os CHAKRAS.

La lumière (AUR ou AOR) atteint le corps physique par des liaisons d'énergie, qui, sortent du corps éthérique au corps physique, attirés par un ensemble de trois éléments biologiques qui forment les Chakras

Esses itens são:  (1)as formações ganglionares que saem da medula, (2) os plexos   formados pelas células nervosas dessas formações ganglionares,  e (3) as glândulas:



Ces éléments sont les suivants: (1) formation sortant du ganglion de la moelle épinière (2) des plexus, formée par les cellules nerveux  dans ces formations ganglionnaires, et (3) des glandes:


DA MEDULA SAEM AS  FORMAÇÕES  GANGLIONARES + PLEXOS QUE INERVAM AS  GLÂNDULAS (e também todos os nossos órgãos):

DE LA MOELLE SORTIE FORMATIONS GANCLIONAIRES+ plexus qui innervent GLANDES (et aussi tous nos organes):




Parece-nos simples. Os CHAKRAS são formações invisíveis que são constituídas por formações visíveis: as glândulas, os plexos e as formações ganglionares, como está mostrado acima.

Cela semble simple. Les Chakras sont des formations invisibles qui se composent d'éléments visibles: les glandes, les plexus et des formations ganglionnaires, comme indiqué ci-dessus.






Caixas de ligação nervosa = os plexos
        Um plexo nervoso é uma rede de nervos entrecruzados semelhante a uma caixa de distribuição elétrica numa casa. No tronco do corpo existem quatro plexos nervosos. 
·                    O plexo cervical leva as ligações nervosas à cabeça, ao pescoço e ao ombro. 
·                    O plexo braquial leva ao peito, ao ombro, ao braço, ao antebraço e à mão. 
·                    O plexo lombar leva às costas, ao abdômen, à virilha, à coxa, ao joelho e à perna. 
·                    O plexo sacro leva à pelve, às nádegas, aos órgãos sexuais, à coxa, à perna e ao pé. 
Devido à interligação dos plexos lombar e sacro, por vezes são designados como o plexo lombossacro. Os nervos intercostais estão localizados entre as costelas.

Cada CHAKRA é ligado por um campo energético a uma glândula; esta se liga a um plexo, e este, por sua vez, deriva das formações ganglionares que saem da medula.

Chaque chakra est relié par un champ d'énergie à une glande; cette lie à un plexus, et ce, à son tour, vient de les formations ganglionaires de la moelle épinière.


A Medula Espinhal, por fim,  liga-se ao complexo sistema nervoso intra-craniano: o cerebelo, o cérebro e o sistema límbico (este sendo o centro das emoções).  

La moelle épinière se lie finalement à  le système nerveux intra-crânienne complexe: le cervelet, le cerveau et le système limbique (ce qui est le centre des émotions).

Logo, cada CHAKRA se comunica com o cérebro, em última instância, passando para este a Luz e as informações de  que dispõe.

Bientôt, chaque chakra communique avec le cerveau, en fin de compte, et transmet les informations disponibles et la Lumière.

A maioria das pessoas está inconsciente desse processo e fica à mercê do atos-resposta que o cérebro dá em consequência da informação recebida dos CHAKRAS. Elas também não sabem qual a quantidade de Luz que recebem pelos CHAKRAS.

La plupart des gens ne sont pas conscients de ce processus et dépend de l'action et de la réponse que donne le cerveau à la suite d'informations reçues des Chakras. Ils ne savent pas non plus la quantité de lumière qu'ils reçoivent à travers les chakras.

Nesta lição temos de tomar consciência desses dois   fatos e processar os dados que o cérebro dispõe, vindos dos CHAKRAS. Só assim seremos donos de nossos atos e Filhos da Luz.

Dans cette leçon, nous devons être conscients de ces deux faits  et  comprendre  les informations que le cerveau a, provenant des Chakras. C'est alors seulement que nous serons maîtres de nos actions et Fils de la Lumière.


GLÂNDULAS ENDÓCRINAS
glandes endocrines


quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Cabala Cristã - vídeo aula 02


Em vídeo aula anterior, o livro Cabala Cristã, de autoria de Leonardo O Araújo e Marlanfe T Oliveira, foi apresentado. Neste vídeo, os autores fazem uma explanação complementar ao capítulo introdutório do livro. O Professor Marlanfe explica a origem do nome divino JAVE a partir das sucessões culturais na Mesopotâmia antiga.

Desde agora, pedimos desculpa pela qualidade técnica amadora do vídeo, mas o nosso objetivo é compartilhar o conhecimento que foi obtido.




O sumário do capítulo Introdução é:
- Significado da palavra kabballa e origem do estudo. 
- Definição da vertente cristã, justificativa da abordagem e entendimentos a serem apresentados ao longo deste ensaio. 
- Os apóstolos ccabalistas.

domingo, 19 de outubro de 2014

Sêfer Ietsirá – O Livro da Criação; Teoria e Prática

Autor: Arieh Kaplan.

Ed Sêfer.


Opinião
É surpreende como Arieh Kaplan aborda com relativa simplicidade o texto do Sêfer Ietsirá, profundamente simbólico, e o desdobra em explicações ricas e coesas, utilizando-se de uma linguagem simples. Para um estudante de cabala, é uma obra indispensável. Para iniciantes, é provável que tenham certas dificuldades com alguns termos que não lhes são familiares e, talvez, se percam em alguns contextos específicos, mas nada que uma releitura futura não torne tudo mais claro. Para ambos é, sem dúvidas, um livro para ler e reler várias vezes.


Mais sobre o livro.


 



“O Sêfer Ietsirá é, sem dúvida, o mais antigo e mais misterioso de todos os textos cabalísticos.”

Essa é a abertura da introdução do texto, a qual traz uma noção geral sobre o escrito original.
O autor se preocupa em elucidar os profundos significados do texto, desde palavras até frases aparentemente indecifráveis, colocando-as em contexto histórico e resgatando os significados mais profundos da língua e da cultura hebraica.
A análise de letras, números, termos, nomes, citações, etc., são constantes e feitas com rara competência. O autor demonstra conhecimento amplo e didática formidável, brindando-nos com um raciocínio claro e concatenado.
A abordagem é completa, passando por Deus, pelas Sefirot (e suas ligações) e chegando ao homem. Também apresenta trechos de obras diversas para ilustrar tanto o significado do que está apresentando quanto a coerência entre os vários textos de livros diversos (todos relacionados à cabala).
Ainda que não seja objeto direto do livro, alguns exercícios de cabala são apresentados. Mais do que isso, eles estão contextualizados e os resultados dos mesmos são explicitados.

É uma obra rica e de leitura obrigatória para qualquer um que queira realmente conhecer cabala... E também para os que acham que a conhecem.

sábado, 11 de outubro de 2014

Multiverso e Supersimetria

“O Universo e inevitável. (...) O Universo é impossível.”
Nima Arkani-Hamed

Dentre os vários artigos – de excelente qualidade – que podem ser lidos na Edição Especial, n° 60, Física e Astronomia 2, Scientific American Brasil, dois são particularmente de interesse no contexto de assuntos abordado neste blog. Sob os títulos de Complexidade da Física Apoiam Ideia de Multiverso e Supersimetria e a Grande Crise na Física, ambos discorrem sobre o que os pesquisadores tinham expectativa de verificar no LHC, a fim de confirmar teorias, a ausência dessas observações.
Os físicos denominam por Modelo Padrão uma teoria subatômica de grande sucesso para explicar o que é observado em testes, combinando mecânica quântica e relatividade especial. Todavia, o Modelo Padrão não é autoexplicativo, ou seja, silencia-se quanto aos motivos que implicam, por exemplo, no valor da massa do elétron ou na quantidade de partículas que se observa nos laboratórios.
Neste contexto, para explicar os fundamentos que definem o Modelo Padrão, os físicos estudam e propõem estruturas teóricas mais abrangentes. Dentre elas, destaca-se a Supersimetria.
Segundo Einstein, para um cientista “sentimentos religiosos assumem a forma de perplexidade arrebatadora diante da harmonia da lei natural”. Essa percepção foi um verdadeiro norte para os físicos do século passado é, até agora, do nosso século também. Acreditar que as constantes básicas da física emergiriam naturalmente de uma modelo adequado, sem necessidade de preciosos Ajustes Finos, é um quadro que resume tal sentimento.  A Supersimetria (ou Susy) é uma estrutura de teorias que permitem entender as leis da natureza, que conformam o universo, como harmoniosas, naturais, conforme estes conceitos foram contextualizados nas linhas anteriores.
O problema é que o Grande Colisor de Hádrons (LHC), segundo uma considerável parte dos físicos, já deveria ter sinalizado novas partículas que apontassem para a constatação, ao menos em parte, da Supersimetria. Em 2015 novas experiências, envolvendo mais energias, serão realizadas no LGH. Se as previsões feitas por meio da Supersimetria não forem encontradas, ter-se-á de se repensar em como devemos entender os Ajustes Finos.
Uma possibilidade ventilada pelos físicos é o Multiverso, ou seja, que o nosso universo seja mais um entre um número exorbitante de universos paralelos existentes. Neste quadro, todas as possibilidades de ajustes de constantes físicas ocorre, tornando a do universo que vivemos apenas mais uma dentre as existentes.
É interessante saber que, por definição, universos paralelos não se interconectam, o que impossibilita uma verificação experimental para apurar a eventual existência de algum outro universo (que não seja este que estamos). Por tal motivo, as críticas em torno desta proposta são comparáveis a produção de sintonias finas realizadas por deuses invisíveis.
O artigo sobre Supersimetria ainda traz mais duas alternativas como substitutos dessa candidata: dimensões extras (passíveis de alguma observação no LHC) e transmutação dimensional (também, neste caso, o LHC poderá definir a sorte da mesma). Sobre essas alternativa, como só li os pouquíssimos parágrafos que constam no próprio texto aqui indicado, prefiro não correr o risco de opinar sem um mínimo de conhecimento sobre o assunto.
Parodiando uma citação de um dos artigos aqui citado, parece que o universo quer nos dar um recado.


quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Sobrenatural – Grandes Mistérios (Revista Super Interessante - edição especial)

Encontra-se nas bancas do nosso país um bom trabalho, realizado pela editora Abril, sobre: eventos dados como sobrenaturais, paranormalidade, mediunidade e a percepção geral dos que testemunham favoravelmente e dos que desdenham os citados temas. Também são abordados alguns casos e pessoas de destaque na área, histórias de charlatões do meio e até algumas abordagens científicas. O título desse texto é o mesmo da revista em foco.

De forma geral, as abordagens são equilibradas, carregadas de sensatez e visam primar por apresentar neutralidade em relação aos grupo, contra ou a favor, que costumam se digladiar em frentes opostas sobre o presente tema. Todavia, é pouco provável que os mais extremistas que se enfileiram nos mencionados grupos apreciem o trabalho, pois, costumeiramente, acusam os artigos de tendenciosos se não coadunam perfeitamente com suas convicções. Paciência.

Aconselho fortemente a leitura. Para os que têm alguma simpatia sobre o tema e pouco conhecimento, verifica-se a oportunidade de ler um material introdutório de nível elevado. Aos que já acumularam leituras e experiências sobre o tema, no mínimo ter-se-á uma perspectiva de como abordar o assunto com curiosos.

Em particular, só chamo a atenção para alguns aspectos (que não tiram o mérito do trabalho aqui apreciado).

1. Há uma grande parte da reportagem diretamente ou indiretamente focada no espiritismo kardecista. Poderia tem abordado outras filosofias e movimentos que tem franca ligação com o sobrenatural. É possível que o volume maior vinculado à doutrina de Allan Kardec venha da organização formal e da ampla simpatia (e adesão) que o espiritismo goza no Brasil.

2. Há algumas abordagens generalizadas que podem levar alguns a distorcer informações. Cito, por exemplo, o trecho “... os principais críticos do espiritismo se tornaram os psiquiatras, que, na virada do século 20, viam na doutrina em expansão uma herança das crenças africanas...”. É possível que uma parte dos leitores conclua, desse trecho, que não se tratava apenas de uma postura dominante (esta é minha interpretação), mas sim um conceito absoluto entre os psiquiatras do período em tela.

3. No artigo intitulado “Viagem ao outro lado da vida”, que aborda a experiência de quase morte (EQM), o texto inicia abordando o singular caso de Pam Reynolds (o qual já mencionei em contexto similar neste blog). Em especial, lê-se (na Super Interessante): “A morte clínica de Pam é aceita por todos os integrantes do corpo médico e está completamente comprovada pelos dados coletados na cirurgia. Os relatos do que ela diz ter ouvido são compatíveis com o que foi dito durante a operação, e instrumentos utilizados para abrir o crânio de Pam – alguns haviam sido recém-criados (e portanto ela não teria como ter visto antes) – foram descritos com exatidão. (...) A ciência tem uma boa resposta para as experiências de quase morte[*] (...) tudo isso é condizente com o aumento de atividade cerebral nos últimos instantes de vida, o que já foi detectado em laboratório.”. Numa leitura analítica dos trechos aqui destacados [**]: ou se conclui que “o aumento de atividade cerebral nos últimos instantes de vida” pode implantar memórias precisas, inclusive de eventos que podem ser comprovados (excluindo uma aberração estatística favorável aos que acreditam que a mente não é um mero epifenômeno do cérebro); ou que se deve tomar a parte como o todo (o aumento da atividade explicando o “implante” de memórias fantasiosas – luzes, encontro com anjos, aparentes mortos, etc – e ignorar a existência de partes dos relatos que são verificáveis); ou que há fraude em todos os estudos (inclusive os que originam artigos científicos) em que são relatados eventos verificáveis, os quais, investigados, puderam ser comprovados.


[*] Alguém pode ter sua visão encoberta de determinado trecho de uma rodovia, testemunhar 2 veículos, deslocando-se em sentido contrário, e, após ficarem ocultados pela barreira, escutar um forte estrondo. Uma conclusão possível é que os automóveis se chocaram. Isso é reforçado se minutos passarem e não se avistar os mesmos saindo da zona da pista que tem a visão encoberta. Todavia, é certo que outros eventos podem ter ocorrido (os carros estacionados e um dos ocupantes ter usado fogos de artifício, por exemplo). Com isso, gostaria de alertar aos que afirmam “a ciência tem uma boa resposta para as experiências de quase morte” que deveriam ser mais precisos e transparentes, pois o correto seria citar “a ciência tem uma possível boa resposta para parte do que é relatado nas experiências de quase morte”, uma vez que “o aumento de atividade cerebral nos últimos instantes de vida”, evento este detectado em laboratório, não implica necessariamente em formação de memórias (salvo ignorância minha sobre algum estudo que demostre tal forçosa correlação).


[**] Procurei não distorcer o contexto dos trechos destacados, mas, certamente, aqueles que leram o artigo abordado aqui poderão apoiar ou contestar minha opinião com propriedade.